THEME ©


Viajante das galáxias, presa na complexidade e grandiosidade de um lugar chamado Terra, e na inquieta condição de ser humano. Serva da natureza, perdida no tempo e espaço, e em busca da paz interior.

A hora da Estrela, Clarice Lispector

As I lay on the grass, the sun shone warmly on my face, and my cheeks were probably red. He touched my face softly. It felt good. I could listen the leaves dancing on the trees. The sky had an intensive blue and the clouds were pure white. I could see every inch of that dark green grass with details, so close I was to it.

Rascunho encontrado num caderno antigo, sem data.

O início é sempre a fase mais difícil pra mim. Os primeiros dias de aula, trabalho, primeiros encontros, e inícios de textos. Essa habilidade que sempre me foi fácil e natural, e que agora encontro dificuldades em completar. Me parece que isso ficou ainda mais difícil - conseguir me expressar por palavras.

Minha mente parece não estar no lugar. Como se as conexões não se completassem. Como se eu precisasse de um reparo, manutenção. Um adormecimento. Processamentos lentos. Esquecimentos frequentes, lapsos de memória. Nunca estou no espaço ou tempo que de fato estou. Revivo passado, imagino futuros. Mas nada de presente. 

Me pergunto como deve ser observar isso de fora. Será que eu fico estática, com olhar vago? É estranho. Meu corpo está estranho. Dói, tem preguiça. Essa preguiça contagiosa, dominadora. Depois de tantas atribulações ano passado, decidi viver devagar, calma. Mas agora, parece que estou parando. E tem essa força que não me deixa avançar, me prende ao chão.

Vou me forçar a agir, a me mover. Por que sempre passo por isso? Faço promessas vagas, que nunca são cumpridas. Sempre adio o agir. Vou me esforçar a voltar a escrever, sei que será de grande ajuda. Esta não é mais uma promessa, é uma tentativa.


It’s like being in love: giving somebody the power to hurt you and trusting (or hoping) they won’t.
Marina Abramović, Rest Energy

Havia um banco, árvores, bicicletas, a lua, a cidade de Toronto movimentando-se agitadamente ao nosso redor, e o desejo mútuo de que aquele momento durasse para sempre.

Por exceção da correria em finalizar os preparativos e arrumar a mala, a véspera parece um dia comum. Ainda não consigo acreditar na iminência da viagem. A ansiedade e nervosismo parecem distantes, mas os sinto prontos para se apoderarem de mim a qualquer momento. Sinto medo. Medo de tudo.

Tá escuro agora e não sei como me sinto. Não sei o que tô pensando. Amanhã. É amanhã.

"Tudo está tão esquisito hoje! E ainda ontem as coisas estavam normais…Será que durante a noite eu virei outra pessoa? Deixe-me pensar: hoje de manhã, quando acordei, eu era a mesma pessoa? Tenho uma vaga lembrança de ter me sentido um pouquinho diferente. Mas se eu não for eu mesma, a próxima pergunta é: Quem eu sou? Essa é a questão!” Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll